segunda-feira, 23 de junho de 2008

Em educação não é preciso reinventar a roda, basta deixá-la girar.

Os resultados da educação no Brasil ainda não são os ideais, no entanto, não se pode esquecer o esforço que vem sendo feito desde a década de 90 para que haja mudanças especialmente na gestão das escolas e no desempenho dos alunos.
A criação do SAEB foi um marco. Desde 1993 já se tem uma avaliação nacional do Ensino Básico que fornece bons indicadores para os gestores das redes de ensino. A Prova Brasil estendeu esta avaliação até as escolas. Se antes , elas não se reconheciam no SAEB, feito em função dos grandes sistemas , hoje as escolas tem o seu próprio retrato. As escolas individualmente podem se ver dentro do grande painel da educação brasileira. Foi um grande e corajoso passo.
Cada governo, a seu tempo, contribuiu para o avanço da educação ,mas ainda temos um longo caminho a percorrer. Um dos grandes problemas é a não continuidade daqueles que já participam dos processos implementados,e detém conhecimentos acumulados na área de avaliação .Com as mudanças de governo muitos destes saem para dar lugar a outros ligados aos novos dirigentes. Este é um grande erro. Recria-se a roda a cada quatro anos e para fazer a roda girar de novo, perde-se tempo.
Gostaria de exemplificar com um caso de sucesso.. O Estado do Acre estava em 2001 entre aqueles com pior desempenho no Brasil. Após 6 anos, com basicamente a mesma equipe, este estado está na 11ª posição do SAEB. Foi um avanço e tanto. Certamente investimentos foram feitos, mas basicamente , uma equipe afinada , com políticas educacionais bem traçadas e metas a serem alcançadas , fez a diferença.
Hoje temos metas e indicadores que apontam para uma mudança no perfil do desempenho dos alunos em um determinado tempo. Isto é muito importante , mas só acontecerá se não tivermos que reinventar a roda a cada quatro anos.
Por outro lado, os resultados do IDEB vem demonstrando cada vez mais que escolas em municípios menores, de porte médio ou pequeno vem tendo mais sucesso que as imensas escolas do tipo dos CIEPS e outros semelhantes. Estas escolas poderiam existir , mas com a finalidade de serem pólos aglutinadores para a prática de esportes, para o desenvolvimento de atividades artísticas e comunitárias.
Numa escola bem sucedida , o diretor conhece os professsores e alunos pelo nome, eles não são apenas números para as estatísticas. Enfim , na boa escola não funciona a economia de escala tão cara às empresas ,até porque escolas não devem se pautar pela lógica das empresas.
Uma escola não constrói mercadorias. Nelas se constróem conhecimentos, valores e atitudes, tudo isto permeado por contatos interpessoais.

2 Comentários:

Às 23 de junho de 2008 às 18:49 , Blogger ** aNa ** disse...

Iza, conheço o seu trabalho ao longo desses anos e concordo plenamente com tudo que foi escrito. Escolas grandes, com turmas de 70 alunos mal acomodados nas salas e com uma relação impessoal não conseguem bons resultados. E o fato da não continuidade à uma mesma política de educação também é um fator que dificulta o bom desempenho escolar. Como diz o excelente título: "Em educação não é preciso reiventar a roda, basta deixá-la girar".
O que eu gostaria de ressaltar, caminhando para a minha área atual, o meio ambiente,é que para a construção de um Brasil melhor em longo prazo, se faz necessário a elaboração de currículos escolares que também contemplem as questões ambientais, de um ensino que forme cidadãos para a vida. Investir fortemente na educação, melhorando a qualidade do ensino no País é primordial para se pensar em um Brasil mais consciente em todas as áreas, contribuindo enfim, para que as futuras gerações recebam um país que zela pela vida de seus cidadãos, de suas águas, suas matas e seus animais. A educação forma adultos com capacidade crítica e, conseqüentemente, cidadãos responsáveis, firmando-se como o investimento que traz um maior retorno que um país pode ter.
Continue escrevendo. Parabéns pela iniciativa do blog.Visitarei sempre. Abraços.

 
Às 23 de novembro de 2008 às 05:54 , Anonymous Anônimo disse...

Cara Professora Iza,

Acompanho o seu trabalho desde sua gestão na Secretaria de Educação do Município do Rio de Janeiro, junto com a Professora Regina de Assis. Quando comecei a lecionar tive o grande orgulho de discutir a Multieducação com sua equipe, até hoje guardo uma carta escrita pela Senhora sobre um dos pontos discutidos na época.
O que me angustia na Educação do Município Carioca é que a cada gestão é passada uma borracha ( a Multieducação está quase que esquecida as escolas), o Professor é totalmente reponsabilizado pelo fracasso do aluno e tudo é reinventado ( como a roda). Porém, o Professor de sala de aula não é ouvido para saber as suas idéias. Conheço de perto inúmera práticas bem sucedidas ( eu mesma tenho algumas) que não saem das 4 paredes da Escola, por puro descaso das autoridades.
Lembro-me bem das trocas de experiências na época da Multieducação, como aprendi com os meus pares. Agora, o pacote vem lacrado e pronto. Cabe ao professor colocar em prática, montar estratégias... Penso que sou mais estrategista que professora. E isso me entristece muito.

Beijos carinhosos e cheios de admiração, Andréa Barreto

 

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